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| Por:
André Ogawa
Aconteceu na casa de shows KVA a 2ª edição do SP Pró HC, festival de grande
importância para o cenário independente, que reuniu grandes nomes do
hardcore nacional. O sucesso da primeira edição foi repetida, com lotação
máxima de público. O festival contou com 14 bandas no total sendo que,
devido a alguns problemas, pude acompanhar somente de Bandits (5ª banda) pra
frente.
O Bandits, banda originária de São Paulo, começou seu show com muita
energia. Desfalcada por um de seus guitarristas, a banda mostrou seu
hardcore melódico com letras reflexivas e algumas líricas e em português. O
baixo, bem marcado por rápidas palhetadas, linhas diferentes e trabalhadas,
somado a uma guitarra com bastante peso são os principais destaques do som
dos caras. Foram tocadas músicas do "Uma resposta para alguns de seus
próximos dias", lançado em 2003 pela Igloo Discos.
Depois foi a vez do hardcore autêntico e sem frescuras do 100Ilusões, banda
proveniente de Santos. A banda difere-se por ter 2 vocais, que cantam com
muita rapidez e força, ora juntos ora alternando-se. A maioria das músicas
foi do CD "Reflexo Do Que Você Esperava", de 2002. Porém, 4 músicas do CD
nem lançado"Relatos" , previsto para setembro, também foram tocadas.
Puxada mais para o Emo, com letras líricas, berros e vocal mais suavizado, o
Olímpia dá início ao seu show. Com apenas 5 meses de formação, a banda tocou
músicas de sua demo. A diferença do Olímpia para o resto das outras bandas
Emo que estão surgindo está nas guitarras: os riffs mais "for fun"
característicos desse subgênero são substituídos por guitarras mais
trabalhadas. A banda fechou com "Soprando Memórias". A saída do CD está
prevista para o fim do ano.
Logo em seguida o som ficou por conta do Shame. Provenientes de Paulínia, a
banda também tem seu som mais puxado pro Emo, com letras que tratam
principalmente de sentimentos, sobretudo amor. Todas as músicas foram do
"Amargas Lembranças", exceto a que fechou o show, que foi no novo álbum
"Memórias desconhecidas".
E diretamente de Dourados(MS), o Cueio Limão começa seu show com "Mário",
música do CD único "Que matou o Bozo?". Com suas letras satíricas, a banda
mostrou uma grande evolução, tanto na parte instrumental como na presença em
cima do palco. Músicas como "Maçarico´s Love Song" e "Prego" mostraram um
público realmente alucinado pelo som. "Rockstar", música do novo CD
intitulado "Ainda Sou Um Rockstar" previsto para dezembro, pela Oba! Records
também foi tocada.
Dando continuidade ao festival sobe ao palco a banda Killi. As músicas
tratam principalmente de relacionamentos, com um instrumental mais pop, mais
leve. A bateria também mais suavizada. Com a vocalista Mariana sempre
tomando a dianteira, a banda tocou principalmente faixas do "Contando os
Dias", inclusive com "Rotina" abrindo o show.
Depois foi o pop punk cheio de gírias cariocas do Dibob que se apresentou.
As pedaleiras de efeito, pedais de wawa, pedais de volume se juntavam em uma
grande parafernália, típica de banda de gravadora do mainstream. Foram
tocadas músicas do “O fantástico mundo”. Alem disso, a banda fez passagens
por Blink 182, System of a Down e Raul Seixas.
Uma das bandas mais esperadas era o Noção de Nada. Eles realmente fizeram
valer toda a ansiedade. Com muita fúria, aliada por outro lado a acordes de
MPB e Bossa nova, a banda mostrou porque é um grande nome do cenário.
Público cantando praticamente todas as músicas. Novas composições foram
tocadas, além das clássicas, como Diploma, uma das mais pedidas. O show
terminou com o vocal assumindo as baquetas e o baterista pegando o teclado:
nova versão para "Copacabana", do disco "Trilogia Suja De Copacabana".
E abrindo com Câncer Overdrive, do CD "Reverso" (2004) o Aditive dá
prosseguimento. Dispensa comentários a qualidade das guitarras, do baixo,
enfim, da parte instrumental em geral. Alia-se riffs pesados com letras
líricas, originando uma mistura autêntica e própria. Apenas contra tempos
com os retornos e com a caixinha da bateria atrapalharam e encurtaram a
apresentação. Nada que a estragasse.
O festival teve uma organização muito boa, alguns atrasos característicos de
grandes festivais, segurança impecável e alguns contra tempos com a parte de
retornos de palco.
Pra fechar o som ficou por conta dos berros e gritos de Nenê Altro e Dance
Of Days. "Selene", musica nova, foi tocada e surpreendentemente cantada pela
maioria do público que havia esperado todo o festival.
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