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Punks e Protestos

Edição #04 - Ano 01

Voltar | Por: Marjah Di Giglio

 

Em 25 anos de movimento, o punk já não é mais o mesmo. Aliás, esse comentário não é geral, pois ainda se encontram muitas pessoas que levam a sério o intuito desse movimento. O que se encontra no cenário geral é os dois lados da história: alguns que levam o punk muito além da roupa e do som, e aqueles que acham que punk é ser revoltado e curtir um rock revoltado da mídia controladora. O punk está nas atitudes e na revolução (sem armas na mão), está nas idéias e nos protestos. Não importa se você usa coturno, calça surrada ou tem um moicano. Se o que existe nas suas idéias não condizem com o visual (que de qualquer forma é de protesto) de que adianta sair por aí se dizendo um punk.
 
A palavra "protesto" deve sem duvida passar pelos 25 anos de punk. O punk luta pelo apoio mútuo, pela ação direta, por viver a vida, sem exploração do mais fraco pelo mais forte, pela igualdade, pela autonomia, por uma liberdade de expressão, pela não censura e repressão. O protesto é a maneira de se mostrar um pouco o que é defendido.
Quando se escreve “punk”, estamos sendo genéricos. Fora as diferenças, para um jornalista mal informado, é tudo farinha do mesmo saco, tenha moicano ou não.
Nas manifestações públicas onde convivem distintos grupos, todos lutando por uma causa comum (justiça social) há a participação de diversos punks, nitidamente os anarquistas. Seja lá onde for eles não se intimidam. Os homens do poder consideram que um típico estudante entre os 16 e 18 anos é eleitor alienado da esquerda. Agora junte esse individuo a três acordes e teremos um mutante operário-estudante-punk. Era comum grupos alardearem informações mal digeridas de livros nunca lidos e sempre citados. A tendência é que isso mude. É saudável essa ligação entre um e outro, entre rock, estudantes e ONGs. É claro que protesto não deve ter nada a ver com bagunça, porque senão se raspa a cabeça logo e começamos a espancar homossexuais e esse não é o caso.
Isso tudo sem esquecer o clássico dia do Caos (ou Dias de Caos) na Europa. No primeiro fim de semana de agosto de 2001 os jornais estampavam uma estranha foto: punks deitados no chão, de mãos amarradas, uns aos outros, após serem detidos por arruaça em Dortmund. Um quinto dos 500 manifestantes se excedeu nos protestos. É exatamente aí que se mostra uma imagem confusa do protesto punk. Deve-se ter olho aberto e não confundir todo o principio pelo que se luta o movimento punk com uma confusão ou baderna mal digerida e mal exposta pela mídia.