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Por:
Marjah Di Giglio
Em 25 anos de movimento, o punk já não é mais
o mesmo. Aliás, esse comentário não é geral, pois ainda se encontram muitas
pessoas que levam a sério o intuito desse movimento. O que se encontra no
cenário geral é os dois lados da história: alguns que levam o punk muito
além da roupa e do som, e aqueles que acham que punk é ser revoltado e
curtir um rock revoltado da mídia controladora. O punk está nas atitudes e
na revolução (sem armas na mão), está nas idéias e nos protestos. Não
importa se você usa coturno, calça surrada ou tem um moicano. Se o que
existe nas suas idéias não condizem com o visual (que de qualquer forma é de
protesto) de que adianta sair por aí se dizendo um punk.
A palavra "protesto" deve sem duvida passar pelos 25 anos de punk. O punk
luta pelo apoio mútuo, pela ação direta, por viver a vida, sem exploração do
mais fraco pelo mais forte, pela igualdade, pela autonomia, por uma
liberdade de expressão, pela não censura e repressão. O protesto é a maneira
de se mostrar um pouco o que é defendido.
Quando se escreve “punk”, estamos sendo genéricos. Fora as diferenças, para
um jornalista mal informado, é tudo farinha do mesmo saco, tenha moicano ou
não.
Nas manifestações públicas onde convivem distintos grupos, todos lutando por
uma causa comum (justiça social) há a participação de diversos punks,
nitidamente os anarquistas. Seja lá onde for eles não se intimidam. Os
homens do poder consideram que um típico estudante entre os 16 e 18 anos é
eleitor alienado da esquerda. Agora junte esse individuo a três acordes e
teremos um mutante operário-estudante-punk. Era comum grupos alardearem
informações mal digeridas de livros nunca lidos e sempre citados. A
tendência é que isso mude. É saudável essa ligação entre um e outro, entre
rock, estudantes e ONGs. É claro que protesto não deve ter nada a ver com
bagunça, porque senão se raspa a cabeça logo e começamos a espancar
homossexuais e esse não é o caso.
Isso tudo sem esquecer o clássico dia do Caos (ou Dias de Caos) na Europa.
No primeiro fim de semana de agosto de 2001 os jornais estampavam uma
estranha foto: punks deitados no chão, de mãos amarradas, uns aos outros,
após serem detidos por arruaça em Dortmund. Um quinto dos 500 manifestantes
se excedeu nos protestos. É exatamente aí que se mostra uma imagem confusa
do protesto punk. Deve-se ter olho aberto e não confundir todo o principio
pelo que se luta o movimento punk com uma confusão ou baderna mal digerida e
mal exposta pela mídia.
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