|
Voltar |
Por:
Marjah Di Giglio
O anti-americanismo cada dia tem seu nível
mais e mais crescente. Para termos um exemplo de como eles mesmos procuram
essa posição de potência odiada basta lermos o que o presidente George W.
Bush disse à sua população, perplexa com os atentados de 11 de setembro de
2001: "Como muitos americanos, eu simplesmente nem acredito no que
aconteceu, porque sei o quanto somos bons". A idéia de Tio Sam como
encarnação do bem não consegue ultrapassar suas fronteiras. O
anti-americanismo vai bem além de falar mal dos EUA.
Com sua posição "ou estão conosco, ou estão contra nós", o presidente Bush
faz com que o planeta se divida. Quando ele cunhou a expressão "Eixo do Mal"
(Coréia do Norte, Irã, Iraque e Cuba), manifestações de apoio aos
terroristas, principalmente em nações árabes, pipocaram contra o tio Sam.
Apesar de um apoio quase que global aos EUA, contra o terrorismo, no momento
em que Bush anunciou a intenção de invadir o Iraque, os europeus recuaram, e
passaram a acusar os EUA de unilateralismo e de prepotência.
Com o fim de uma bipolaridade no mundo em que URSS e EUA disputavam de
várias formas, o mundo de guerras, conflitos ideológicos e competição
militar em larga escala está dando espaço para muitas negociações e diálogos
sejam a solução para muitos problemas. Porém, ainda que a negociação e o
diálogo sejam a solução, os EUA têm sido criticados por muitos fatores o que
faz crescer o sentimento anti(norte)americano nessa discussão. Alguns
exemplos: a decisão por não assinas o tratado de Kyoto, de recusar um
tribunal internacional para o julgamento dos membros do Al-Qaeda,
instituindo uma prisão especial na Baía de Guantánamo (Cuba), por retirar-se
da Conferência Mundial sobre Racismo e pelo alinhamento de Washington a
Israel no conflito de Oriente Médio.
"Em todo mundo existe um certo fascínio pelo imaginário do tio Sam. Com a
globalização, a idéia de uma nação rica, poderosa e amplamente democrática
provoca ambigüidade: as sociedades autoritárias como a maioria dos paises
árabes, são tomadas por sentimentos contraditórios em relação aos EUA .
Desta maneira, criam-se muitas vezes situações paradoxais. Na China
comunista, os jovens revolucionários que foram protestar na Praça da Paz
celestial, em 1989, elegeram a estátua da Liberdade como símbolo de suas
reivindicações. Já os palestinos , que lutam para recuperam suas terras
queima símbolos e bandeiras americanas em protesto contra o apoio de
Washington às políticas de Israel".
O anti-americanismo é cíclico. O que o estimula nesse momento são as
políticas de Bush em relação ao resto do mundo, restritas e agressivas. Os
EUA hoje são uma potência, mas agem de maneira imatura, mesquinha e
ignorante. O mundo de hoje se tornou refém dos conflitos que uma nação
provoca cada dia mais com suas ações do passado e do presente que
repercutirão para muitos e muitos anos futuros.
|