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Irônika

22/06/2005

Voltar | Por: Raphael Marques

 

Com 5 anos de luta, a banda Irônika vem trazendo muita novidade a cena atual, com seu talento e boas músicas com vocais inquietantes, diretamente de Belo Horizonte / MG, uma banda que ainda ouviremos muito falar. A banda também comenta sobre seu CD Demo "F... A Família Brasileira Tradicional", leia e sinta a vontade de ouvir: Irônika!

 

Quando e por quem a banda foi formada?
Bruno: A banda foi formada no inicio de 2000 por mim e o Juarez.

Qual a formação atual? Já houve alguma mudança?
Tiago: A banda passou por varias transformações. Em 2001 o Juarez saiu e voltou só em 2003. Eu e o Cau entramos em meados de 2002. A formação atual é: eu, Tiago Borges - Bateria, Cau Marine - Baixo e Vocais, Bruno Luiz - Guitarra e Vocais e Juarez Rodrigues - Guitarra e Vocais.

O som de vocês continua o mesmo depois de 5 anos? O que mudou?
Bruno: Nossas idéias não mudaram, mas o som mudou muito. De início tínhamos em mente tocar Ska pelo nosso gosto em comum pela música jamaicana, independente de qualquer influência de Rock. Mas a coisa não rendeu muito até 2002 quando Tiago e Cau entraram, daí em diante começamos a desenvolver uma identidade para banda e naturalmente em função das influências e estilo de cada um resolvemos migrar para o Punk Rock.
Tiago: Daí em diante fomos só evoluindo até chegar aonde estamos.

Quais são as influências da banda?
Bruno: Basicamente o Punk de 77 e o estrago causado pelos Pistols, Clash, Ramones e por aí vai. O Reggae e Ska da Two Tone, das bandas jamaicanas lá da 1º onda do Ska, diga-se Trojan Records como Desmond Dekker, Symarip, Bob Marley & The Wailers. De lá pra cá a gente pega a música Oi! do Blitz, Sham 69, Cockney Rejects, Business e todo o seu apelo juvenil, os outros punks dos anos 80, seja nacional e gringo, como Inocentes, Cólera, Restos de Nada, RDP, Exploited, GBH, Discharge. Entrando nos anos noventa pego as bandas da Epitaph, da Fat Wreck principalmente Rancid, Us Bombs, Oxymoron, Calibre 12, Blind Pigs, Dropkick Murphys. A música HardCore também é uma influência que entrou graças ao Tiago e o Cau além de coisas do Proto Punk, Pós-Punk, Black Music nacional ou gringa, o Rap nacional também. Enfim, ouvimos muita coisa sem neuras!

Qual a proposta musical de vocês?
Tiago: Rock'N'Roll, Punk Rock.
Bruno: Lembro desde já que não somos uma banda política. Muito menos extremo ou anti-músical. É esquema Rock'N'Roll mesmo e com possibilidade de expandir pra outras sonoridades que sempre gostamos... Por que não?

Quais os objetivos da banda?
Tiago: Tocar e tocar, principalmente fora de Minas Gerais já que aqui não tem muito espaço.
Bruno: Pois é, isso mesmo! Tocar, fazer som, expressão ou desabafo mesmo. E o que vier além disso é lucro.

A banda tem o CD Demo "F... A Família Brasileira Tradicional", o que mais incomoda vocês, quais as maiores insatisfações nessa forma tradicional?
Bruno: Eu sou de uma família tradicional, já vi e já passei muita coisa podre nesse meio. É a violência em cima, o falso moralismo, algo que forma pessoas burras e medíocres. Eu jamais desejo isso pra mim nem pra ninguém. Eu fiz essa música pra desabafar tudo que eu sofri em função desse lixo.
Tiago: Depois de muito atrito com a minha família ao longo da minha vida, aos poucos fui fazendo as minhas coisas com o diálogo e é isso que a gente gostaria de passar para as outras pessoas através da música. Mas hoje em dia, falando de família, as únicas que eu considero são meu pai, minha mãe, minha irmã e minha tia, o resto nem considero, e acho que nem eles me consideram também a não ser por interesse.

Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pela banda?
Tiago: Espaço, grana e a ausência de um apoio, sei lá... Distribuição e etc... Acho que o resto a gente mesmo que tem que correr atrás.
Bruno: Pois é, o esquema é um apoio para fazer a banda se movimentar com maior facilidade. Ninguém aqui é rico pra manter banda e tal. Já estamos fazendo quase 2 anos com o CD Demo, com certeza se rolasse um recurso melhor a gente já tinha agilizado um Full Lenght a muito tempo, por que vontade musical é que não falta para isso.

Quem escreve as músicas de vocês?
Bruno: Eu escrevo a maioria dos sons, rolou umas parceiras comigo, Juarez, Tiago e Cau, mas atualmente eu escrevo e os caras me dão uns toques nas letras.

Para vocês, qual o significado de "Irônika"?
Bruno: Bom cara, o nome veio em 2001. Do inicio da banda até hoje sempre tivemos um clima de ironia, situações adversas mesmo. Seja nas letras, seja na nossa convivência, comportamento ou até na minha visão de mundo. Particularmente é algo que diz respeito na minha veia 77, algo que diz respeito a "No Future".

Como anda a cena em Belo Horizonte? Algo incomoda a banda?
Tiago: Com todo respeito, uma merda, por que a gente faz parte dela e também temos direito de movimentá-la... Mas a ta rolando shows legais por aqui, só está faltando a galera trocar mais idéia e começar a acontecer... Mais hoje em dia aqui está sendo o seguinte, quem tem mais colhões está aí... O resto está correndo atrás, e o que eu sempre digo gosta quem queira, mas eu odeio hostilidade, e aqui ninguém vai ficar vendendo ingresso para tocar... É foda.
Bruno: Falo da cena Punk Rock, não do HardCore. Existem bandas, existe público mas as casas são restritas demais. A coisa aqui ainda é muito desencontrada. Salvo as exceções que existem, de fato, falta respeito e sobra patrulhamento ideológico, arrogância e hostilidades. Ainda vamos bater de frente com muita treta e burrice por aqui, mas sentimos que algo está mudando, mesmo que lentamente.

Diga um show que marcou. Porquê?
Tiago: Matriz solidária 2002, porque é muito raro de se ver a casa lotada. Nesse dia tinha gente lá no fundo em cima da cadeira batendo palma, aquilo foi ótimo... E o mais recente no Hangar por ser a primeira vez nossa lá e junto com o Blind Pigs...
Bruno: Esses dois show foram sem comentários. O matriz solidária principalmente, foi tão intenso esse show que marcou a entrada do Juarez na seqüência (risos).

O clipe da música "Libertas Quae Sera Tamem" foi produzido de forma quase que independente. Quem os influenciaram a gravar este clipe? Ficou da forma que desejavam? O que a galera tem achado?
Bruno: Sempre tivemos em mente fazer um demo clipe e esse vídeo mesmo que seja um tanto rústico ficou além das nossas expectativas. É um vídeo bastante energético que realmente tem dado o que falar, temos tido bons comentários a respeito dele. Já o incentivo foi o preço que pagamos para produzi-lo, realmente foi muito barato, principalmente porque já tínhamos muitas imagens engatilhadas pra ele.

Para quem quiser adquirir o CD Demo "F... A Família Brasileira Tradicional", como proceder?
Bruno: Não tem segredo. É só entrar em contato com a gente pelo e-mail ou pelos telefones (31) 3473.2543 (Bruno) ou (31) 3473.4240 (Tiago). Passamos a demo por 5 reais via depósito na conta que a gente usa, bem fácil mesmo, em três dias está na mão e boa!

A banda pretende lançar algum material novo para a galera?
Tiago: Com certeza, mas sem previsão, músicas temos bastante, e está rolando alguns contatos, pode ser que saia bem antes do que estamos esperando.
Bruno: Temos muitos planos mesmo. Mas vamos ver como as coisas vão caminhar.

Agradeço pela atenção. Espaço aberto para críticas, protestos ou juras de amor.
Bruno: Agradecer a todos do zine Amnésia pela força. Mandar um abraço pra todos que vem abrindo um espaço para gente e acreditando mesmo. Isso é excepcional! No mais, seja lá o que você faz da vida, faça com convicção! Desde que você não esteja atrasando a vida de ninguém, seja um cara-de-pau filho da puta mesmo e vá em frente! Só as assim as coisas começam a acontecer pra você!

 

 

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