Home / Entrevistas / Ler

Cólera

25/05/2005

Voltar | Por: Raphael Marques

 

Desde os primórdios do Punk, até os tempos atuais. Uma das bandas que dispensam apresentação, deram origem a cena nacional. Falando de todas as fases, de todos os momentos; com vocês a banda Cólera, banda que carrega desde o começo a bandeira da paz, luta pela natureza e por um mundo melhor, com liberdade e sem injustiças.

 

Quando e por quem a banda foi formada?
A banda foi formado em 26 de outubro de 1979 por: Redson (Baixo / Vocal); Helinho (Guitarra) e Pierre (Bateria).
 
Qual a formação atual? Qual a formação que ficou por mais tempo na ativa? Qual pegou a melhor fase?
Hoje somos: Redson (Guitarra / Vocal), Pierre (Bateria / Vocal) e Fábio (Baixo / Vocal). Esta formação é de 1990, são 15 anos.
 
Para uma banda que começou com "1 violão e 2 poltronas", qual foi a emoção de gravar o primeiro LP "Tente Mudar o Amanhã", em 1984?
Nós já havíamos participado de 3 discos antes do TMA, a saber: Grito Suburbano, SUB e O Começo do Fim do Mundo.
Gravar o TMA foi uma emoção intensa. Fizemos tudo do melhor jeito que podíamos, pois o tempo era curto. Foi duca.
 
E qual a sensação de em 1987 gravar o LP "European Tour" com músicas ao vivo dos shows pela Europa? E qual foi sensação de poder voltar a Europa em 2004?
Foi uma coisa de "bandeirante" mesmo. Eu sabia que aquilo estava quebrando barreiras, abrindo novos caminhos para nós e para o som alternativo do Brasil, lá fora. A recepção européia foi surpreendente.
Fomos muito bem tratados e bastante aplaudidos. Em 2004, com toda uma história já vivida por nós, tocando pelo Brasil, lançando outros álbuns e também. com o grande número de bandas indo pra lá e vindo de lá pra cá, ficamos satisfeitos e rever velhos amigos que estiveram na  primeira tour, fomos novamente muito aplaudidos. Chegamos a dar 4 bis em Hamburg (Alemanha) num concerto onde os ingressos se esgotaram no dia anterior. Acho que o Cólera é uma prova viva de que, quando se acredita, torne-se possível.

 

A banda já tocou em vários lugares, com várias bandas, algum show realmente marcou? Qual?
Difícil destacar um sem desmerecer vários. 90% dos concertos são marcantes. Mas vou citar o de Viena, em 2004, onde tocamos com Harum Scarum (banda de garotas de Portland, USA), foi muito bom mesmo. Haviam caravanas de Londres, Tchecoslováquia, França, Espanha, etc...
 

A pouco tempo, o Redson voltou a falar com o João Gordo, etc. A briga com o Ratos de Porão já foi resolvida? O que realmente aconteceu?
Não aconteceu nada de sério. Não havia briga com o Ratos, e sim eu e o Gordo ficamos um tempão sem nos falar. Já fizemos as pazes e bola pra frente.

 

O que mais incomodava vocês, no mundo, na época em que começaram? E o que ainda continua incomodando?
Naquela época a ditadura militar no Brasil era terrível. Aquilo já era incômodo demais antes mesmo do punk surgir.

 

De '79 aos tempos atuais muita coisa mudou, inclusive a cena underground. Vocês acham que há mais punks ativos ou simplesmente um visual? Na música "São Paulo É Gig.", vemos um pouco da indignação aos modinhas da cena atual, ao ouvir: "Moicano é coisa séria, não dá para fingir".
Não podemos estabelecer regras pra ninguém ser punk. O grito que consta nesta faixa, é para alertar que moicano é coisa séria e precisa ser encarado de forma esclarecida. Vejo que hoje temos uma volume gigantescamente maior de bandas, zines, pessoas, etc., e não dá pra esperar que todo mundo siga a risca um padrão. O punk é uma postura de indignação, de inconformismo e cada qual faz isso da sua forma. É preciso ser tolerante pra não discriminar ninguém. Sou a favor da diversidade e da liberdade de expressão, acho que hoje, o underground está bem mais fortalecido e pode ficar melhor se continuarmos a acreditar.

 

Seja no começo da banda, ou em qualquer data, ao ouvir a música "Pela Paz" damos de frente com o que ainda vem ocorrendo no mundo, nem uma mudança. Parece que a população também não quer se conscientizar desses problemas, muito menos os governantes. O que vocês acham que realmente deve ser feito para atingirmos a paz em todo o mundo?
Não tenho todas as respostas para todos os problemas. Vejo que a pacificação do mundo depende de milhares, senão de milhões de fatores.
Mas a evolução humana pode ser uma forma de se ter paz. Pois a paz é um estado de espírito e não uma simples bandeira branca na colina.

Quando sua mente está perturbada, você está longe da paz!
 
No CD Vira-Latas (tributo ao Cólera), foram vocês os responsáveis em selecionar as bandas? Ou foi um projeto totalmente separado da banda? Como funcionou?
Fui chamado pra dar o empurrão inicial, dicas e etc. Depois, só vi o CD pronto, não participei da seleção de músicas e bandas. Não era esse o propósito do projeto.
 

No novo CD "Deixe a Terra Em Paz", a banda fez uso de diversos instrumentos, como: Trompete, Trompete de Vara e Zampoña, fazendo uma revolução na cena punk atual. Agora com cerca de 1 ano e meio após o lançamento, vocês acham que o público gostou dessa mudança?
Sim. Pelo menos ninguém criticou ou reclamou (que eu saiba, né...).
 

Assim como todos, gostaria de saber se há já alguma previsão de lançar em CD a raridade do LP "Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico"? E porque fizeram tão poucas cópias?
O álbum foi lançado em 1992, numa época em que o vinil estava sumindo do mercado e o CD tomando conta. Estamos aguardando o selo Devil Discos lançar este material já faz 3 anos. Este ano, eles prometeram que lançariam. Vamos torcer pra que cumpram.

 

O que vocês acham de toda essa mídia atual em cima do HardCore e do Punk Rock?
A mídia é uma faca de dois gumes e é preciso saber lidar muito bem com este instrumento.

 

Que bandas daqui do Brasil que vocês estão ouvindo e gostando?
Ação Direta, Lampironicos, Cordel do Fogo Encantado, etc.
 

Após o lançamento da caixa de "20 Anos", que traz de uma fita com o show de 20 anos, um livreto com história ilustrada e um pôster. Deve ter sido bem aceito, pois já com 25 anos, a banda gravou seu DVD ao vivo. Quando será lançado este DVD? E haverá artigos extras?
O DVD está previsto para o segundo semestre de 2005. Terá clipes, entrevistas e shows no Brasil e Europa. A maioria é material totalmente inédito.

 

O zine chama-se Amnésia, pois ao criar a primeira edição em 2002, estava pensando em qual nome colocar. Até ouvir "Amnésia", música do LP "Tente Mudar O Amanhã" (esta é a única música cantada pelo Pierre?). A letra foi escrita por quem? O que gostariam de transmitir? (Ao ouvir coloquei o nome do zine de Amnésia, pois a música retrata a repugnância a rotina, então lembrei da amnésia política a qual vive a população, na qual, já virou rotina eleger um governante e se submeter, aceitar trapaças, mas no próximo ano elegê-lo novamente).
Esta letra foi feita por mim para outra banda que eu tinha em 1981 / 1982, o AXO, onde eu tocava todos os instrumentos. Depois foi adaptada para o Cólera, em 1983 e entrou no álbum. Achei muito legal o nome do zine vir da música e a forma que você passou o raciocínio, é por aí mesmo.
 

Agora o espaço é de vocês, deixem suas críticas, protestos ou juras de amor. Continuem lutando pela paz, pela natureza e pela liberdade. Valeu pela força e pelo ótimo Punk Rock que é motivo de orgulho e incentivo pra muitos.
Quero parabenizar o zine Amnésia e todos os zines que rolam por aí, bem como bandas, e todo mundo que está fazendo alguma coisa. Pra todos vocês, muita saúde, muita paz! Faça você mesmo, faça pra entender, crie um mundo novo (Era - CD "Caos Mental Geral"). Valeu! Redson.

 

 

Links

Cólera