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Phobia

04/05/2005

Voltar | Por: Raphael Marques

 

Na contagem regressiva, o Phobia nos dá a oportunidade de entrevistá-los para saber sobre todas suas vontades, alegrias, angustias, dificuldades, correrias, brigas, sons e principalmente suas "phobias" enfrentadas nesses 10 anos de estrada, com vocês uma das poucas bandas que ainda tocam o verdadeiro Punk Rock por amor e ódio.

 

Como a banda foi formada?
O Phobia foi formado em 1993 por Claudião e Alê, e no começo era uma banda de covers de Inocentes, Cólera e etc. Em 1995 entram Demente e Requeijão na banda e o Phobia passa a fazer músicas próprias e, conseqüentemente, ter um envolvimento mais sério com o movimento punk e o anarquismo.

Quais as influências da banda?
Cólera, Restos de Nada, Inocentes (antigo), Replicantes, Fogo Cruzado (antigo), Elvis Presley, The Who, Bill Halley, Richie Valens, Anti-Nowhere League, Newtown Neurotics, Dead Kennedys, Ramones, The Clash, Klamydia e muitas outras...

Como surgiu o nome? Qual o significado para vocês de "Phobia"?
Em 93 quando montamos a banda sabíamos o que queríamos tocar, música com conteúdo, música politizada .. E o que é mais politizado e com conteúdo do que a “autêntica música punk”.
Como todas as bandas autênticas de Punk Rock queríamos expressar a nossa realidade, os nossos pensamentos, o nosso ódio, a nossa fúria, queríamos mostrar a nossa cara, queríamos falar também dos nossos medos, receios... Mas principalmente das nossas "phobias"... Queríamos propagar através das nossas músicas, valores para aqueles que não são anarquistas e desconhecem a cultura punk, mas sentem-se extremamente discriminados, excluídos, e explorados por esta sociedade corrupta, hipócrita e fascista... Fazemos música sobre a realidade e a cultura punk, recheado de ideais anarquistas, para punks, anarquistas e para todas as pessoas que se sentem sufocadas e desesperadas, sempre a procura de um antídoto contra a falsidade; a ganância a miséria e a cultura comercial.
"Phobia é um sentimento que vai atacar todos vocês, Phobia de ser dominado, cadastrado e vigiado".

Quais foram/são as dificuldades enfrentadas pela banda?
Como todas as bandas realmente punks (e não apenas com um visual punk para vender CD), o Phobia tem dificuldades de tocar em boas casas de shows e de conseguir espaços na mídia, além de um esquema de distribuição descente, mesmo com uma carreira sólida de mais de 10 anos, um clipe veiculado na Mtv em 1998, diversos shows com bandas nacionais e gringas de peso como o Riistettyt, Cenobytes, Cólera, Olho Seco e outras, um CD lançado, diversas coletâneas e inclusive uma tour pela América do Sul (a Anarkotour) em 2002. Infelizmente, o povo brasileiro está mais preocupado em consumir visual do que conteúdo, e acaba olhando apenas para os figurões do punk gringo, repetidos exaustivamente pela mídia, como Sex Pistols, The Clash e Ramones, sem perceber a riqueza que existe na diversidade, energia, agressividade e conteúdo que a música punk mundial e, principalmente a brasileira, nunca deixou de oferecer. Parece que, quando a música deixa de ser "for fun" e exige raciocínio e postura crítica, as pessoas envolvidas na cena rock do país se borram de medo de investir, preferem investir sempre no rock comercial, feito para vender, sem conteúdo e não-agressivo.

Qual a formação atual? Já tiveram outras formações? Qual a que pegou a melhor época da banda?
Já tivemos realmente muitas formações, mas duas foram muito foda, a que gravou o primeiro CD, com Claudião (Vocal), Demente e Alê (Guitarras), Flávio Azevedo (Baixo) e Requeijão (Bateria) e a atual, com Demente, Claudião e Requeijão e mais Esfiha (ex - Ativistas) na outra guitarra e Pateta (Baixo). É fantástico poder trabalhar com músicos tão competentes e que fazem Punk Rock por amor e ódio, e não por grana.

Houve alguma mudança em relação ao som, do ínicio da banda até os tempos atuais?
Como toda a banda que permanece tocando por alguns anos, nosso som foi mudando e, apesar de continuarmos tocando Punk Rock e HardCore com pitadas de Rock dos anos 50, hoje em dia nosso som está muito mais trabalhado. Sempre curtimos solos de guitarras, mas agora temos feito um esforço de não repetir a mesma fórmula sempre, queremos inovar cada vez mais e no último disco usamos diversos sons de guitarra que não são convencionais em uma banda punk, como delays, flangers e tremolo, além de uma participação muito especial de Deviloky (Elektrobillys) com seu baixo acústico em uma das faixas. Pretendemos agora lançar um cd de 10 anos, aonde ainda queremos inserir scratches e atabaques em alguma faixa. Porém, nosso objetivo é colocar isso no som punk, e não desfigurá-lo. Como nós mesmos cantamos, sem criatividade, não há combatividade, ou, indo um pouco mais além, como dizia o poeta russo Maiakowsky, sem forma revolucionária não há arte revolucionária.

Sei que o Claudião curte bastante Cólera e tal, qual foi a sensação de ser convidado para fazer parte do Tributo ao Cólera?
De todas as bandas dos primórdios musicais do Punk Rock Tupiniquim, a principal propagadora ainda ativa e fiel aos seus valores é o Cólera, tivemos algumas oportunidades de tocarmos nos mesmos eventos... Inclusive em um festival em Paulínia, onde o Redson dividiu conosco o palco na musica “Direitos Humanos”... Para nós foi um privilégio, principalmente para mim que tenho neles, nestes 10 anos de Phobia, um exemplo... Tive o privilegio de conhecer o ex - Cólera "Big Bass" Val, que foi o responsável pelo primeiro contato com um estúdio para gravação da primeira demo-tape do Phobia, e conseqüentemente um dos maiores culpados da existência do Phobia (inclusive quase foi um Phobia - na época éramos muito ruins – risos - e ele não quis passar esta vergonha), não poderia deixar de citar o Ariel (Invasores) que é, em minha opinião, um guerreiro, um batalhador incansável. Além de outras bandas como exemplo em resumo deixo o DZK, pois seria injusto tentar citar todas, pois com certeza muitas ficariam de fora da minha lista.
Vamos participar de outros tributos como o dos Kães Vadius e dos Excomungados, também já gravamos para o CD de 10 anos uma versão de "Sandina" dos Replicantes e "Direito a Preguiça" do Restos de Nada, só esperamos conseguir lançar este antes de completarmos 12 ou 13 anos de existência, pois isto é uma coisa normal no Phobia, as gravações serem lançadas com 2 anos de atraso. Estamos em vias de relançar o primeiro CD com faixas bônus; e de lançar quase que simultaneamente o segundo CD, e estamos com um split para ser lançado na Espanha pela UphDistro.

Muita coisa tem acontecido na cena punk atual, essas mudanças foram boas ou deixam a desejar do que era na década de 70 / 80, quando bandas como Cólera e Inocentes começaram.
O tempo passa e, infelizmente no Brasil, bandas como Raimundos, CPM22, Dead Fish, Blind Pigs e etc... Usam do nome ou do som Punk ou HardCore para vender CDs, enquanto que os autênticos continuam deixados de lado por não serem “comerciais” o suficiente, ou por não aceitarem abaixar as calças para as casas de shows e gravadoras. Eles usam a "forma" do punk, mas jogam fora o "conteúdo", copiam o visual, copiam o som, mas colocam as letras babacas e a postura inofensiva que as gravadoras querem para poderem vender sua imagem sem medo. É uma merda que bandas como o Cólera ou o Restos de Nada não tenham seu valor devidamente reconhecido e nem uma estrutura realmente boa para trabalhar, enquanto os comerciais usam desse nome e visual, que sempre teve muito apelo entre a juventude, para encher o cu de dinheiro. Nesse ponto, as coisas pioraram, pois o som punk ficou restrito aos conhecedores e não chega na grande massa. Como nós sempre afirmamos, é fácil ser punk na hora de vender CD, difícil é ser punk todos os dias.

O que mais os incomoda no mundo atual?
A preguiça mental das pessoas, que são um bando de ovelhas conformadas com esse papo de "as coisas sempre foram assim, não adianta tentar mudar" e esse controle a que somos expostos, essa coisa de um governo ou algum otário querer te dizer qual é a verdade absoluta, querer impor isso a nós, sendo que a "verdade" são muitas e não uma só. Isso vai desde a forma de governo em que somos obrigados a viver até o fato de que alguém se acha no direito de decidir se você, maior de idade, que tem o "poder e a responsabilidade" de votar e escolher um governante, por exemplo, pode ou não fumar uma planta que cresce livre na natureza. É engraçado, na hora do voto, eles te tratam como um adulto, alguém que tem responsabilidade para decidir o futuro da nação, mas na hora de falar sobre maconha, por exemplo, eles te tratam como uma criança. Papai diz que você não pode e pronto, e se não obedecer apanha, porque o papai sabe o que é bom para você e você não sabe. Para nós, são todos bastardos arrogantes, que descontam a raiva que sentem por ter uma vida lixo nos outros, coibindo-os e regulamentando as suas ações para se sentirem superiores. Não aceitamos que ninguém tente controlar nossas vidas, votamos nulo e, só reconhecemos alguma autoridade na polícia por que nos forçam a isso pelas suas armas de fogo. Desarmados não nos impõe respeito algum.

Quem escreve as letras? E em que se baseiam?
As letras do Phobia foram todas escritas por Demente e Claudião, a não ser quando ganhamos alguma de presente. Nos baseamos no que sentimos vivendo em um país fodido que nem o Brasil e numa cidade superlotada de gente escrota como São Paulo. Nos alimentamos das coisas ruins que vemos e sentimos e transformamos isso em panfletos musicais.

A banda tem uma postura totalmente anarquista, isso já fez com que acontecesse algum mal entendido (em shows) com tribos rivais?
Já tivemos alguns problemas com neonazistas em alguns poucos shows, mas parece que essas pessoas cansaram de apanhar dos punks.

Agradecemos à atenção e a entrevista. Agora deixem seus recados, protestos, e o que quiserem falar.
Nós estamos tocando há anos e não pretendemos parar enquanto houver sangue quente em nossas veias.

"Antes Morrer de Pé que Viver de Joelhos" (Bakunin).
Estamos relançando nosso primeiro CD e lançando um novo agora no final de janeiro de 2005.
Quem quiser entrar em contato com o Phobia ou conseguir nossos CDs, mande e-mail.

 

 

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