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Por:
Raphael Marques
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Na
contagem regressiva, o Phobia nos dá a oportunidade de entrevistá-los
para saber sobre todas suas vontades, alegrias, angustias, dificuldades,
correrias, brigas, sons e principalmente suas "phobias" enfrentadas
nesses 10 anos de estrada, com vocês uma das poucas bandas que ainda
tocam o verdadeiro Punk Rock por amor e ódio. |
Como
a banda foi formada?
O Phobia foi formado em 1993 por Claudião e Alê, e no começo era uma banda
de covers de Inocentes, Cólera e etc. Em 1995 entram Demente e Requeijão na
banda e o Phobia passa a fazer músicas próprias e, conseqüentemente, ter um
envolvimento mais sério com o movimento punk e o anarquismo.
Quais as influências da banda?
Cólera, Restos de Nada, Inocentes (antigo), Replicantes, Fogo Cruzado
(antigo), Elvis Presley, The Who, Bill Halley, Richie Valens, Anti-Nowhere
League, Newtown Neurotics, Dead Kennedys, Ramones, The Clash, Klamydia e
muitas outras...
Como surgiu o nome? Qual o significado para vocês de
"Phobia"?
Em 93 quando montamos a banda sabíamos o que queríamos tocar, música com
conteúdo, música politizada .. E o que é mais politizado e com conteúdo do
que a “autêntica música punk”.
Como todas as bandas autênticas de Punk Rock queríamos expressar a nossa
realidade, os nossos pensamentos, o nosso ódio, a nossa fúria, queríamos
mostrar a nossa cara, queríamos falar também dos nossos medos, receios...
Mas principalmente das nossas "phobias"... Queríamos propagar através das
nossas músicas, valores para aqueles que não são anarquistas e desconhecem a
cultura punk, mas sentem-se extremamente discriminados, excluídos, e
explorados por esta sociedade corrupta, hipócrita e fascista... Fazemos
música sobre a realidade e a cultura punk, recheado de ideais anarquistas,
para punks, anarquistas e para todas as pessoas que se sentem sufocadas e
desesperadas, sempre a procura de um antídoto contra a falsidade; a ganância
a miséria e a cultura comercial.
"Phobia é um sentimento que vai atacar todos vocês, Phobia de ser dominado,
cadastrado e vigiado".
Quais foram/são as dificuldades enfrentadas pela
banda?
Como todas as bandas realmente punks (e não apenas com um visual punk para
vender CD), o Phobia tem dificuldades de tocar em boas casas de shows e de
conseguir espaços na mídia, além de um esquema de distribuição descente,
mesmo com uma carreira sólida de mais de 10 anos, um clipe veiculado na Mtv
em 1998, diversos shows com bandas nacionais e gringas de peso como o
Riistettyt, Cenobytes, Cólera, Olho Seco e outras, um CD lançado, diversas
coletâneas e inclusive uma tour pela América do Sul (a Anarkotour) em 2002.
Infelizmente, o povo brasileiro está mais preocupado em consumir visual do
que conteúdo, e acaba olhando apenas para os figurões do punk gringo,
repetidos exaustivamente pela mídia, como Sex Pistols, The Clash e Ramones,
sem perceber a riqueza que existe na diversidade, energia, agressividade e
conteúdo que a música punk mundial e, principalmente a brasileira, nunca
deixou de oferecer. Parece que, quando a música deixa de ser "for fun" e
exige raciocínio e postura crítica, as pessoas envolvidas na cena rock do
país se borram de medo de investir, preferem investir sempre no rock
comercial, feito para vender, sem conteúdo e não-agressivo.
Qual a formação atual? Já tiveram outras formações?
Qual a que pegou a melhor época da banda?
Já tivemos realmente muitas formações, mas duas foram muito foda, a que
gravou o primeiro CD, com Claudião (Vocal), Demente e Alê (Guitarras),
Flávio Azevedo (Baixo) e Requeijão (Bateria) e a atual, com Demente,
Claudião e Requeijão e mais Esfiha (ex - Ativistas) na outra guitarra e
Pateta (Baixo). É fantástico poder trabalhar com músicos tão competentes e
que fazem Punk Rock por amor e ódio, e não por grana.
Houve alguma mudança em relação ao som, do ínicio da
banda até os tempos atuais?
Como toda a banda que permanece tocando por alguns anos, nosso som foi
mudando e, apesar de continuarmos tocando Punk Rock e HardCore com pitadas
de Rock dos anos 50, hoje em dia nosso som está muito mais trabalhado.
Sempre curtimos solos de guitarras, mas agora temos feito um esforço de não
repetir a mesma fórmula sempre, queremos inovar cada vez mais e no último
disco usamos diversos sons de guitarra que não são convencionais em uma
banda punk, como delays, flangers e tremolo, além de uma participação muito
especial de Deviloky (Elektrobillys) com seu baixo acústico em uma das
faixas. Pretendemos agora lançar um cd de 10 anos, aonde ainda queremos
inserir scratches e atabaques em alguma faixa. Porém, nosso objetivo é
colocar isso no som punk, e não desfigurá-lo. Como nós mesmos cantamos, sem
criatividade, não há combatividade, ou, indo um pouco mais além, como dizia
o poeta russo Maiakowsky, sem forma revolucionária não há arte
revolucionária.
Sei que o Claudião curte bastante Cólera e tal, qual
foi a sensação de ser convidado para fazer parte do Tributo ao Cólera?
De todas as bandas dos primórdios musicais do Punk Rock Tupiniquim, a
principal propagadora ainda ativa e fiel aos seus valores é o Cólera,
tivemos algumas oportunidades de tocarmos nos mesmos eventos... Inclusive em
um festival em Paulínia, onde o Redson dividiu conosco o palco na musica
“Direitos Humanos”... Para nós foi um privilégio, principalmente para mim
que tenho neles, nestes 10 anos de Phobia, um exemplo... Tive o privilegio
de conhecer o ex - Cólera "Big Bass" Val, que foi o responsável pelo
primeiro contato com um estúdio para gravação da primeira demo-tape do
Phobia, e conseqüentemente um dos maiores culpados da existência do Phobia
(inclusive quase foi um Phobia - na época éramos muito ruins – risos - e ele
não quis passar esta vergonha), não poderia deixar de citar o Ariel
(Invasores) que é, em minha opinião, um guerreiro, um batalhador incansável.
Além de outras bandas como exemplo em resumo deixo o DZK, pois seria injusto
tentar citar todas, pois com certeza muitas ficariam de fora da minha lista.
Vamos participar de outros tributos como o dos Kães Vadius e dos
Excomungados, também já gravamos para o CD de 10 anos uma versão de
"Sandina" dos Replicantes e "Direito a Preguiça" do Restos de Nada, só
esperamos conseguir lançar este antes de completarmos 12 ou 13 anos de
existência, pois isto é uma coisa normal no Phobia, as gravações serem
lançadas com 2 anos de atraso. Estamos em vias de relançar o primeiro CD com
faixas bônus; e de lançar quase que simultaneamente o segundo CD, e estamos
com um split para ser lançado na Espanha pela UphDistro.
Muita coisa tem acontecido na cena punk atual, essas
mudanças foram boas ou deixam a desejar do que era na década de 70 / 80,
quando bandas como Cólera e Inocentes começaram.
O tempo passa e, infelizmente no Brasil, bandas como Raimundos, CPM22, Dead
Fish, Blind Pigs e etc... Usam do nome ou do som Punk ou HardCore para
vender CDs, enquanto que os autênticos continuam deixados de lado por não
serem “comerciais” o suficiente, ou por não aceitarem abaixar as calças para
as casas de shows e gravadoras. Eles usam a "forma" do punk, mas jogam fora
o "conteúdo", copiam o visual, copiam o som, mas colocam as letras babacas e
a postura inofensiva que as gravadoras querem para poderem vender sua imagem
sem medo. É uma merda que bandas como o Cólera ou o Restos de Nada não
tenham seu valor devidamente reconhecido e nem uma estrutura realmente boa
para trabalhar, enquanto os comerciais usam desse nome e visual, que sempre
teve muito apelo entre a juventude, para encher o cu de dinheiro. Nesse
ponto, as coisas pioraram, pois o som punk ficou restrito aos conhecedores e
não chega na grande massa. Como nós sempre afirmamos, é fácil ser punk na
hora de vender CD, difícil é ser punk todos os dias.
O que mais os incomoda no mundo atual?
A preguiça mental das pessoas, que são um bando de ovelhas conformadas com
esse papo de "as coisas sempre foram assim, não adianta tentar mudar" e esse
controle a que somos expostos, essa coisa de um governo ou algum otário
querer te dizer qual é a verdade absoluta, querer impor isso a nós, sendo
que a "verdade" são muitas e não uma só. Isso vai desde a forma de governo
em que somos obrigados a viver até o fato de que alguém se acha no direito
de decidir se você, maior de idade, que tem o "poder e a responsabilidade"
de votar e escolher um governante, por exemplo, pode ou não fumar uma planta
que cresce livre na natureza. É engraçado, na hora do voto, eles te tratam
como um adulto, alguém que tem responsabilidade para decidir o futuro da
nação, mas na hora de falar sobre maconha, por exemplo, eles te tratam como
uma criança. Papai diz que você não pode e pronto, e se não obedecer apanha,
porque o papai sabe o que é bom para você e você não sabe. Para nós, são
todos bastardos arrogantes, que descontam a raiva que sentem por ter uma
vida lixo nos outros, coibindo-os e regulamentando as suas ações para se
sentirem superiores. Não aceitamos que ninguém tente controlar nossas vidas,
votamos nulo e, só reconhecemos alguma autoridade na polícia por que nos
forçam a isso pelas suas armas de fogo. Desarmados não nos impõe respeito
algum.
Quem escreve as letras? E em que se baseiam?
As letras do Phobia foram todas escritas por Demente e Claudião, a não ser
quando ganhamos alguma de presente. Nos baseamos no que sentimos vivendo em
um país fodido que nem o Brasil e numa cidade superlotada de gente escrota
como São Paulo. Nos alimentamos das coisas ruins que vemos e sentimos e
transformamos isso em panfletos musicais.
A banda tem uma postura totalmente anarquista, isso já
fez com que acontecesse algum mal entendido (em shows) com tribos rivais?
Já tivemos alguns problemas com neonazistas em alguns poucos shows, mas
parece que essas pessoas cansaram de apanhar dos punks.
Agradecemos à atenção e a entrevista. Agora deixem
seus recados, protestos, e o que quiserem falar.
Nós estamos tocando há anos e não pretendemos parar enquanto houver sangue
quente em nossas veias.
"Antes Morrer de Pé que Viver de Joelhos" (Bakunin).
Estamos relançando nosso primeiro CD e lançando um novo agora no final de
janeiro de 2005.
Quem quiser entrar em contato com o Phobia ou conseguir nossos CDs, mande
e-mail.
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