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Por:
Raphael Marques
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O
Amnésia traz uma entrevista com uma das bandas de grande atitude dentro
da cena Punk / HardCore atual. Há 8 anos
trazendo muita informação, estes são os Deserdados e o seu bem tocado Rock de Combate. |
Como a banda foi formada?
Lambão: Conheci o Jamaica(bateria) e o Danone (baixo) em 1994, quando eles
tocavam em outra banda. No final desse ano, eles saíram fora dessa banda e
juntamente comigo na guitarra e o Alemão no vocal, formamos os "Deserdados"
em janeiro de 1995, na zona leste da cidade de São Paulo.
Quais as influências da banda?
Lambão: Musicalmente, nossa principal influência é o punk rock 77, bandas
como Sham 69, Clash, Undertones, Stiff Little Fingers... Mas também ouvimos
muito outros estilos de música... Fora da música, várias pessoas nos
influenciaram, tipo Steve Bico, Charles Chaplin, Marighela, Luther King, Che
Guevara, etc...
Como surgiu o nome? Este nome é o escolhido desde o começo?
Lambão: O Danone tinha uma banda com este nome, só que esta banda não passou
de alguns ensaios. Em 95, quando nos juntamos, ele citou esse nome desta sua
ex-banda e todo mundo curtiu, pois tinha tudo a ver com a nossa proposta, ou
seja, que todos os deserdados clamam por igualdade e liberdade... Os índios,
os negros, os meninos de rua, os discriminados em geral... Este é o nome da
banda desde o início.
Quais foram / são as maiores dificuldades enfrentadas pela banda?
Danone: Uma das maiores dificuldades é a falta de recursos financeiros
(bancamos tudo do nosso bolso). As vezes recebemos alguns trocados, mas é
raro, visto que a "filosofia punk" no Brasil é tocar de graça para as
pessoas se divertirem e outras ganharem dinheiro com o trabalho alheio.
A formação atual não é a mesma do "SP Punk Vol. 1", porque?
Lambão: Porque o Alemão, que era o vocalista, saiu da banda em 1998, pois
não se adaptava ao estilo da banda (estávamos já fazendo um punk rock mais
clássico, pois no começo era mó tosqueira). A partir daí eu assumi os vocais
e a banda ficou como um trio até março de 2003, quando o Celo entrou para a
segunda guitarra.
Houve alguma mudança na banda do início até hoje?
Lambão: Mudanças de formação foram aquelas já ditas... Outras mudanças...
Acho que evoluímos muito, não pensamos mais como a oito anos atrás. Isso não
quer dizer que perdemos a essência, só que não dá pra ficar escrevendo uma
letra tipo "Foda-se o Sistema" por anos e anos. Acho que todos devem buscar
conhecimento e informação e não ficar parado no tempo. A rebeldia permanece,
porém com outras palavras.
O que vocês acham da cena Punk / HardCore atual?
Danone: Particularmente acho que está muito legal, tirando as disputas para
ver quem é mais famoso. As pessoas tem mais opções musicais dentro da cena e
isso é muito bom.
O público de vocês é o mesmo do início? Perceberam alguma mudança nos shows?
Danone: Alguns ainda são os mesmos do início, mas a maioria não. "Só quem é"
fica até o fim. As mudanças nos shows, por exemplo, são as meninas que estão
indo em maior número, o que não acontecia a alguns anos atrás. Tem também
uma molecada bem novinha. O que mais me chama a atenção é o grande número de
adeptos ao estilo "livre de drogas". Isso é muito positivo.
O que vocês diriam para as bandas que estão entrando para a cena agora? E o
que acham de bandas que fogem da ideologia punk?
Danone: Para as bandas novas dizemos para fazerem música com tesão e não
desistam perante as dificuldades. Sobre a ideologia, cara... Depois de todos
esses anos convivendo com o punk eu descobri que não há ideologia, cada um
age da maneira que melhor lhe convir. Se você é feliz com o que faz, então
vá em frente.
A música Fanzine incentiva aqueles que querem fazer uma publicação
alternativa. O que vocês diriam para nós "zineiros" sobre isso?
Lambão: Consideramos um zine e uma banda duas coisas muito próximas, um
completando o outro, um chegando aonde o outro não chega. Estamos no mesmo
barco. Portanto, façam zines e montem bandas!
O que mais incomoda vocês no mundo atual?
Danone: O imperialismo.
Lambão: Mas todo império cai. Sempre foi assim durante toda a história e não
será diferente desta vez. O problema é que não sabemos quando este cairá e
quantas e quais cabeças irão rolar.
Resumindo, o que é "Deserdados" para vocês?
Danone: São todos aqueles que não tem direito à educação, à saúde, à
participação política, ao amor principalmente, à convivência pacífica no
planeta, etc.
Agradecemos a atenção e a entrevista. Agora deixem seus recados, protestos
ou juras de amor...
Lambão: Valeu Raphael pela força, desejamos vida longa ao Amnésia. Valeu
você que leu esta entrevista. Saúde a todos. Recado? Leiam de tudo, a
começar pelos zines. Protesto? É só ler alguma letra nossa. Juras de amor?
Eu amo todos aqueles seres que não sentem inveja, não tem religião, não
fazem guerra, não matam por banalidades, ou seja, ou animais.
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