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Por:
Christian Costa
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O
Amnésia traz uma entrevista com a banda paulistana Fim do Silêncio, que
tem garantido uma boa cota de shows e conseguido cada vez mais fãs, com
seu som difícil de se rotular, mas que perturba, tanto pela atitude e
pelas letras, quanto pelo som extremo, pesado e berrado, através de dois
vocais que exprimem os pensamentos da banda de forma agressiva. A
performance de palco da banda condiz muito com o som, sendo quase
performática. |
Como a banda surgiu e
qual a origem do nome?
A banda surgiu de uma forma legal, todo mundo andava de skate no mesmo
lugar, cada um tocava algo, ou pensava que tocava (risos), e aí resolvemos
montar o FDS. O nome foi foda, não rolava nenhuma idéia, aí começamos a
mandar uma porrada de nome, e aí rolou Fim do Silêncio. Todo mundo curtiu, e
ficou. A única alteração que rolou na formação foi em maio de 99: saiu o Edu
que fazia vocal, e no lugar entrou o Xande e o Dênis, as duas máquinas de
gritar da banda.
A banda possui um gênero musical definido? Quais as
influências?
Não conseguimos definir um estilo, então dizemos que é "Fim do Silêncio
Core". Com relação a influências... Escutamos muita coisa: HardCore,
MetalCore, rap, uma porrada de coisa, mas nada influi diretamente em nossas
músicas. O que tem mais influência são nossos amigos, a realidade em que
vivemos, essas paradas tem uma parcela de culpa (risos) nas músicas que
fazemos.
Existe muito público no
underground para esse tipo de som atualmente? O que acham da atual cena do
HardCore?
O público de HardCore é um público relativamente menos, mas fiel, e que
gosta da cena. O maior problema que temos na cena hoje é a competição, cara.
É um querendo comer o outro. COm relação às bandas, tem muita gente boa, que
tem atitude, que luta para que a parada fique grande... Não vou citar nomes,
pois pode ficar gente boa de fora. A gente tocou com um monte de gente...
Agora tem um monte de pau no cu também, mas eles que se fodam.
Está sendo fácil conseguir shows? Existe preconceito
por parte de alguns públicos para quem vocês tocam?
Como disse, tem muita gente que luta pela cena, faz show e é um puta trampo:
equipamento, divulgação e uma puta correria, e ninguém dá muito valor para
essa galera, mas sem eles o negócio pára. Preconceito não rola, todo mundo
respeita numa boa. É uma troca, a gente respeita e é respeitado.
A música "Poeira e Sangue" tem como tema os sem terra,
e atualmente se pôde ver os desdobramentos das condenações aos policiais
responsáveis pelo massacre em Eldorados dos Carajás. A banda se considera
politicamente engajada? Acham importante cantar em português?
O FDS é uma banda que escreve aquilo que vê, e aquilo que sente, e optamos
bastante por temas políticos. Nosso engajamento é mostrar para as pessoas
nosso ponto de vista sobre esses temas, de forma diferente do que é mostrado
na mídia. Apoiamos quaisquer atitudes, movimento ou idéia que busque um
equilíbrio da sociedade... Utópico? Não sei!
Para vocês, qual a
importância do protesto através da música?
A música é um veículo muito forte para você passar uma idéia. Seja ela qual
for, resultados sempre rolam, pessoas que querem saber mais sobre o que
falamos e o que pensamos, são pequenos grupos que vão crescendo sempre. É
muito complicado, sempre que se começa a formar uma resistência, as pessoas
que dominam e tem uma certa "panela" formada já ficam incomodadas e tentam
destruir essa resistência. Por isso deve acontecer uma união. "Juntos somos
fortes".
Existe previsão de shows ou novo material?
Tem algumas datas para confirmar, como sempre a gente avisa tudo na hora.
Mas em outubro tem alguns shows confirmados no Rio de Janeiro. A gente
esteve tocando em maio, junho e agora julho direto. Se tudo der certo, vai
continuar corrido até o final do ano, então não vai faltar oportunidade pra
galera ir ao show e conhecer nosso trampo. No final do ano, a gente deve
gravar um material novo, e estamos procurando selos que se interessem em
lançar esse material.
A banda disponibiliza as músicas no site em mp3. Vocês
consideram também que hoje em dia seja o melhor meio de divulgação, apesar
de dar margem de risco da música ser "roubada" e as pessoas não adquirirem
CDs da banda?
O mp3 ajuda muito. Queremos que as pessoas escutem, e principalmente
entendam nossas músicas, discutam e critiquem. Portanto, seja fita, CD ou
mp3, escutem nossa música, façam cópias piratas, dane-se. Não adianta gravar
e fazer música se as pessoas não tiverem acesso. Tudo é feito para vocês.
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